Faturas de energia, registos de combustível, compras e evidências de fornecedores já fornecem dados ambientais à sua empresa. A decisão sobre os ESRS para o exercício de 2026 determina como esses dados alimentam o relato revisto. Também afeta os custos de preparação, os controlos internos e a reutilização da informação nas decisões operacionais.
A Comissão adotou o ato delegado em 3 de julho de 2026, seguindo-se a publicação no Jornal Oficial da União Europeia em 21 de setembro. Para as empresas que continuam abrangidas pela CSRD, a questão é escolher a versão e documentar a transição. Os ESRS revistos aplicam-se, em geral, aos exercícios iniciados a partir de 1 de janeiro de 2027. Existe uma opção para determinados exercícios iniciados em 2026, sujeita às disposições transitórias e à aplicabilidade do ato.
Uma mudança de norma não elimina o valor dos dados existentes. O exemplo espanhol liga ESRS, EINF, inventários de carbono e procedimentos MITECO. Em Portugal, devem avaliar-se separadamente as regras nacionais, as exigências do grupo e os pedidos de clientes ou financiadores. A decisão é também de arquitetura de dados e de controlo interno.
O que mudou com os ESRS 2.0
A consulta pública sobre o ato delegado começou em 6 de maio de 2026 e terminou em 3 de junho. A Comissão adotou o texto definitivo em 3 de julho, no âmbito do Omnibus I. O texto publicado é agora a referência para finanças, jurídico, relato e revisão; deixou de se tratar apenas de um projeto com adoção futura incerta.
A Comissão anunciou uma redução superior a 60% dos datapoints obrigatórios e a 70% do total. A revisão acrescenta flexibilidade e simplifica a apresentação e a aplicação da materialidade. A síntese regulamentar da ESMA distingue publicação de entrada em vigor, prevista para 10 de novembro de 2026.
As divulgações que permanecem continuam a exigir dados completos, coerentes e explicáveis. Energia, emissões, água, resíduos, trabalhadores, governação e cadeia de valor dependem de informação dispersa por departamentos e filiais. É necessário escolher uma versão, registar a decisão e manter a comparabilidade com o trabalho já preparado.
Menos datapoints não significa menos responsabilidade
A redução do volume pode aliviar a redação e a revisão, mas não implica uma redução equivalente do trabalho de controlo. A administração, o prestador de garantia de fiabilidade, um banco ou um cliente podem continuar a precisar de compreender uma determinada métrica.
Conserve a fonte, o responsável, o período, a metodologia, a validação e as alterações face ao ano anterior. Ligue a divulgação ao registo de origem e à respetiva evidência, em vez de guardar documentos isolados. Antes de interromper uma recolha, verifique se a informação continua a servir análises de custos, operações ou outro requisito.
A dupla materialidade continua a ser o filtro
A avaliação considera os impactos sobre as pessoas e o ambiente e os riscos e oportunidades com efeitos financeiros sobre a empresa. Um tema pode ser material por qualquer uma das perspetivas ou por ambas. Uma abordagem mais proporcionada não transforma a avaliação numa formalidade.
Uma conclusão de não materialidade também precisa de fundamentação e evidência. Quando os factos ou os requisitos mudam, registe por que motivo mantém ou altera a conclusão. O guia de dupla materialidade na CSRD ajuda a organizar essa documentação.
Os dados físicos continuam a ser necessários
Menos divulgações não eliminam faturas de eletricidade, registos de produção, consumos de combustível, medições de água, quantidades de resíduos ou respostas de fornecedores. Uma indústria pode utilizar o mesmo consumo elétrico no relato climático, no inventário de carbono, na análise de custos energéticos e numa resposta comercial.
Se cada equipa recolher a informação de forma independente, uma alteração normativa pode criar mais versões, em vez de reduzir trabalho. Mantenha unidade, período, entidade, fonte e responsável associados ao registo. Depois relacione-o com cada resultado, verificando diferenças de definição, cálculo e perímetro. Os dados sociais e de governação exigem informação complementar e controlos adequados.
A decisão: aplicar os ESRS revistos em 2026 ou em 2027
As empresas que já reportam, em especial as da primeira vaga que permanecem abrangidas, devem avaliar as opções para o próximo relato. O ato publicado e as disposições transitórias determinam a elegibilidade. A aplicação antecipada não é uma escolha incondicional para qualquer empresa nem substitui a avaliação das regras nacionais.
Compare estes 4 aspetos, em vez de decidir apenas pelo número de datapoints:
- Calendário do exercício. A aplicação antecipada pode preparar a transição para 2027, mas exige tempo para implementar o novo mapeamento.
- Preparação dos dados. Manter o quadro anterior pode dar continuidade quando o fecho está avançado ou os novos controlos ainda não estão prontos.
- Revisão e garantia de fiabilidade. Administração, finanças, jurídico, relato e prestador de garantia precisam de uma interpretação e de um plano comuns.
- Comparabilidade. Explique a versão escolhida, as opções transitórias, as alterações de divulgação e o tratamento dos dados comparativos.
Conserve um processo de decisão com texto aplicável, metodologia, aprovações, mudanças de perímetro e razões das diferenças. Esse registo permite rever qualquer uma das opções sem transformar a escolha numa decisão informal de última hora.
O que significa para os requisitos nacionais e do grupo
O relato europeu convive com obrigações nacionais, exigências das filiais e pedidos de clientes ou instituições financeiras. O caso espanhol mostra como reutilizar fontes sem equiparar os requisitos jurídicos de cada aplicação.
CSRD, divulgações nacionais e Taxonomia
EINF e CSRD utilizam fontes comuns, como energia, emissões, resíduos, trabalhadores, políticas e evidências, mas são regimes distintos. Para entidades portuguesas, identifique as obrigações nacionais aplicáveis e os requisitos do grupo. A Taxonomia Europeia pode reutilizar parte da informação, mantendo critérios e perímetros financeiros ou operacionais próprios.
Inventários de carbono e planos de redução
Os dados climáticos podem apoiar o cálculo da pegada da organização e o planeamento de medidas. Determine os âmbitos e categorias necessários para cada uso. O RD 214/2025 e os procedimentos MITECO são referências espanholas, não obrigações automaticamente aplicáveis em Portugal; devem ser analisados quando existam entidades espanholas relevantes.
Clientes, concursos e cadeia de valor
Empresas não diretamente abrangidas podem receber pedidos, sujeitos aos limites e critérios de proporcionalidade aplicáveis. Identifique fornecedores e atividades relevantes, distinga valores confirmados de estimativas e registe a evidência em falta. Uma solicitação externa não deve obrigar a iniciar sempre uma nova recolha.
6 passos para preparar a decisão sem reconstruir o trabalho
Comece pelas fontes e responsabilidades antes de alterar os modelos de relato. A sequência seguinte permite à administração e aos revisores acompanhar a implementação da versão escolhida.
1. Confirmar o perímetro empresarial
Liste entidades, filiais, instalações e atividades incluídas. Documente aquisições, alienações, mudanças de consolidação e exceções. Confirme o âmbito atual da CSRD antes de assumir que a única questão é escolher a versão dos ESRS.
2. Comparar os dois mapeamentos ESRS
Relacione requisitos anteriores e revistos com as fontes reais. Identifique campos eliminados, definições alteradas e divulgações que continuam a usar a mesma base operacional. Conserve versões do mapeamento para ligar correções às saídas afetadas.
3. Rever a dupla materialidade
Verifique fundamentação, responsáveis, fontes e evidências de cada tema material. Se a revisão alterar uma conclusão ou o detalhe necessário, registe a data e o motivo. A simplificação não justifica, por si só, eliminar um tema.
4. Fechar lacunas prioritárias
Priorize dados usados em vários resultados: energia, emissões, compras, água, resíduos, fornecedores e informação social e de governação necessária. A recolha estruturada de dados pode reunir ERP, sistemas operacionais, folhas de cálculo e questionários. Confirme as ligações ou os processos de importação disponíveis.
5. Preparar evidências e estrutura digital
Mantenha fonte, método, fórmula, responsável e aprovação. Prepare registos identificáveis sem assumir que a publicação de uma taxonomia torna a marcação obrigatória. A EFRAG explica o processo ESEF separado; confirme as regras aplicáveis ao período.
6. Alinhar administração e equipas de revisão
Acorde versão, calendário, comparativos e trabalho pendente com os decisores e o prestador de garantia. Documente aprovações e questões de interpretação antes do fecho. Finanças, jurídico, operações e relato devem trabalhar com o mesmo plano.
Conselho: Teste um registo de energia nos dois mapeamentos. Verifique fonte, período, conversão, aprovação e divulgação de destino antes de alargar o processo ao conjunto dos dados.
Como a Dcycle ajuda a preparar os ESRS 2.0
A Dcycle é uma plataforma de dados ambientais para informação que a empresa já gera. Em vez de a reconstruir para pedidos isolados, as equipas podem estruturá-la uma vez para finanças, operações, revisores e relato. A plataforma não atua como auditor nem substitui decisões jurídicas ou metodológicas.
Uma base para vários resultados
Energia, emissões, água, resíduos, compras e fornecedores podem apoiar usos compatíveis. No relato multinorma, a mudança de um padrão leva à revisão do mapeamento e à reutilização dos dados validados. As divulgações sociais e de governação precisam da informação complementar apropriada.
Responsáveis, validações e evidências
Identifique responsáveis, períodos incompletos, unidades incoerentes e documentos associados. Distinga dados confirmados, estimativas e pedidos pendentes a filiais ou fornecedores. O histórico deve explicar origem, cálculo, aprovação e alterações; a plataforma não garante a aceitação por um revisor independente.
Dados físicos ligados às operações
Organize faturas e informação de compras, instalações, frota, energia e fornecedores através dos processos de entrada suportados. Uma base comum de contabilidade de carbono permite reutilizar atividade em cálculos diferentes. Os mesmos registos ajudam a analisar consumos, priorizar fornecedores e avaliar custos, verificando poupanças com resultados reais.
Conclusão
Os ESRS revistos reduzem o volume obrigatório, mas mantêm a necessidade de dados fiáveis, dupla materialidade documentada e evidências rastreáveis. A decisão de 2026 deve considerar elegibilidade, preparação, comparabilidade e revisão, juntamente com os requisitos nacionais.
Estruture uma base comum de dados ambientais antes de alterar mapeamentos. Assim, pode adaptar resultados e preservar informação operacional útil. As mesmas fontes controladas podem apoiar inventários de carbono, pedidos de clientes e decisões de custos, verificando separadamente os limites de cada utilização.
Precisa de rever o perímetro, comparar mapeamentos ou estruturar dados ambientais reutilizáveis? Conheça o processo com a Dcycle.
Pedir uma demonstraçãoPerguntas frequentes (FAQs)
Quando se aplicam os ESRS revistos?
Em geral, aos exercícios iniciados em ou após 1 de janeiro de 2027. Determinados exercícios iniciados em 2026 podem utilizar a revisão ao abrigo das disposições transitórias, quando o ato for aplicável. Confirme entidade, período e condições jurídicas.
Posso aplicar os ESRS 2.0 ao exercício de 2026?
O ato prevê uma opção para determinados exercícios iniciados em 2026. Confirme elegibilidade, aplicabilidade e condições transitórias e alinhe o plano com a administração e o prestador de garantia. A opção não se aplica automaticamente a qualquer empresa.
A revisão elimina a dupla materialidade?
Não. Continua a ser o filtro para impactos, riscos e oportunidades relevantes para o relato. Uma abordagem proporcionada exige conclusões fundamentadas e evidências de suporte.
Qual é a relação entre ESRS 2.0 e o EINF espanhol?
São regimes diferentes com fontes comuns, como energia, emissões, trabalhadores e resíduos. A informação pode ser reutilizada com limites, responsáveis e métodos claros. Para empresas portuguesas, o EINF é especialmente relevante quando existem entidades espanholas no grupo.
O que deve fazer uma empresa agora?
Confirmar o âmbito, comparar mapeamentos, rever a dupla materialidade, fechar lacunas prioritárias e acordar o calendário. Considere também a informação necessária para divulgações nacionais, inventários de carbono, clientes e concursos.
Que dados devem estar prontos para o relato ESRS de 2026?
Mantenha um inventário da informação abrangida, fontes, responsáveis, limites, métodos, evidências e decisões de materialidade. Ligue os registos ambientais às operações, fornecedores, energia, materiais e emissões para evitar recolhas repetidas desnecessárias.