Sustentabilidade

Pegada de carbono dos sacos de plástico: o que saber

Cristina Alcala-Zamora avatar Cristina Alcala-Zamora · · 6 min de leitura
Pegada de carbono dos sacos de plástico: o que saber

Photo by Dong Cheng on Unsplash

A pegada de carbono dos sacos de plástico é muito mais relevante do que parece. Cada saco, por mais simples que seja, gera emissões desde o momento em que é fabricado até ser deitado fora.

E quando falamos de milhões por dia, o impacto dispara.

Para muitas empresas, este tipo de produtos passa despercebido. Mas, se queremos cumprir a regulamentação, otimizar recursos e manter a competitividade, temos de começar a medir.

Não podemos gerir o que não conhecemos. Compreender esta pegada é fundamental para tomar decisões.

Não se trata apenas de contar emissões, mas de identificar onde estão os maiores impactos e como os podemos reduzir sem complicar o processo.

Porque devemos preocupar-nos com a pegada de carbono dos sacos de plástico?

Os sacos de plástico estão em todo o lado.

Do supermercado à embalagem industrial, fazem parte do dia a dia em praticamente todos os setores.

O problema não é apenas o seu volume, mas o impacto oculto que geram. Cada saco implica emissões que muitas vezes passam despercebidas. Fabricá-los, transportá-los, utilizá-los e eliminá-los tem um custo ambiental.

Se não medimos, não controlamos. E, se não controlamos, não cumpriremos os nossos objetivos nem a regulamentação.

O impacto acumula-se depressa. Multiplicado por milhares ou milhões de unidades, o efeito nos indicadores ESG de uma empresa pode ser mais grave do que parece.

As emissões dos sacos de plástico são mensuráveis. Use o software de sustentabilidade certo para as acompanhar e reduzir.

O que é a pegada de carbono dos sacos de plástico?

A pegada de carbono de um saco de plástico mede as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) geradas ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a extração do petróleo até à eliminação ou incineração.

Cada fase conta: matérias-primas, produção, transporte, utilização e gestão de resíduos.

Tudo se soma.

Exemplo prático: um saco de supermercado de utilização única pode parecer inofensivo. Mas, se tivermos em conta a sua vida útil curta face ao volume de produção e à utilização diária, o impacto ambiental torna-se evidente.

Como se mede a pegada de carbono de um saco de plástico?

1. Principais metodologias utilizadas

Há várias formas de calcular esta pegada, mas todas partem do mesmo princípio: quantificar as emissões.

As mais comuns são:

2. Principais fatores tidos em conta

Nem todos os sacos poluem o mesmo. Depende do tipo de plástico, do processo de fabrico, do transporte e da forma como é eliminado.

A reutilização também conta. Um saco mais espesso pode ter uma pegada inicial superior, mas, se for reutilizado muitas vezes, pode acabar com um impacto global inferior.

É preciso olhar para o quadro completo. Do tipo de resina ao sistema de reciclagem, tudo influencia o cálculo final.

3. Diferenças entre tipos de sacos

Um saco de supermercado não é igual a um industrial. Diferem nos materiais, nos volumes de produção e na forma como são utilizados.

Os sacos mais finos, de utilização única, costumam ter uma pegada por unidade inferior, mas, como são usados em grandes quantidades e não são reutilizados, o seu impacto multiplica-se.

Os sacos reutilizáveis ou de uso técnico têm um perfil diferente. Embora a sua pegada inicial seja superior, podem ser mais eficientes a longo prazo se forem bem utilizados.

Quer reduzir emissões? Então é altura de analisar que sacos utilizamos, quantos, para que fim e como são geridos depois.

Porque medir? 4 razões estratégicas para a sua empresa

1. Conformidade regulatória em sustentabilidade (CSRD, EINF, etc.)

Cada vez mais regulamentos exigem a medição de emissões.

E não falamos apenas das grandes empresas: o quadro regulatório alarga-se a todas.

O que acontece se não medir? Não consegue reportar.

E, sem dados, é impossível cumprir a CSRD, o EINF ou qualquer outra norma que venha a surgir.

Medir a pegada de carbono dos sacos de plástico é mais um passo para se manter em conformidade. E poupar dores de cabeça pelo caminho.

2. Controlo de custos e eficiência na sua empresa

Menos emissões costuma significar menos custos. Se medirmos bem, detetamos fugas de recursos e otimizamos processos.

Dos materiais ao transporte, há muitas oportunidades para reduzir custos sem sacrificar a qualidade.

Não se trata de gastar mais, mas de gastar melhor.

3. Reputação e valor de marca para clientes e partes interessadas

Cada vez mais clientes exigem transparência. E isso significa dados reais, não promessas vazias.

Medir a sua pegada ajuda a demonstrar que está a fazer as coisas bem. E isso gera confiança, dentro e fora da empresa.

A reputação não se inventa, constrói-se. E isto faz parte desse processo.

4. Competitividade perante as novas exigências do mercado

As regras do jogo estão a mudar. E as empresas que se adaptam primeiro ganham.

Se não medir, não pode melhorar. E, se não melhorar, fica para trás face a concorrentes que já estão a otimizar o seu impacto ESG.

Podemos descansar? Não propriamente. O mercado exige-o, e depressa.

3 principais desafios ao medir esta pegada

1. Falta de rastreabilidade na cadeia de abastecimento

A maior parte das emissões não vem da sua fábrica, mas da sua cadeia de valor. E, sem visibilidade, não pode agir.

Sabe de onde vem o plástico que utiliza? Sem rastreabilidade, não há dados fiáveis.

2. Dados dispersos ou incompletos

Recolher informação é uma confusão se não houver um sistema centralizado. Ficheiros soltos, formatos diferentes, dados em falta…

E, quando os dados têm falhas, todo o cálculo perde valor. Precisamos de ordem, não de complicações.

3. Dificuldade em comparar fornecedores e processos

Nem todos reportam da mesma forma. E isso dificulta muito a comparação.

Este fornecedor polui mais ou apenas mede pior?

A falta de normas comuns pode levar-nos a tomar decisões erradas.

Para melhorar, precisamos de perceber onde estamos. Sem comparabilidade, estamos a voar às cegas.

A nossa visão: medir é apenas o primeiro passo

Medir é bom, mas não chega. Se ficarmos por aí, não estamos a aproveitar todo o potencial dos dados ESG.

A chave está em integrar a medição numa estratégia mais ampla.

Uma estratégia que nos ajude a melhorar continuamente e a decidir com base em informação real, não em suposições.

Os dados são inúteis se não os usarmos para agir.

E é aqui que a sustentabilidade se torna uma verdadeira alavanca estratégica.

Por onde começar? 4 passos para agir hoje

1. Identificar os produtos com maior volume ou impacto

Não é preciso medir tudo desde o primeiro dia.

Comecemos pelo que mais importa: os produtos que mais vendemos ou os que geram mais emissões.

É aí que estão as melhores oportunidades. O que não acrescenta valor pode esperar.

2. Centralizar os dados numa única plataforma

Ter a informação espalhada por vários sítios não funciona. Precisamos de ver tudo num só lugar para agir depressa.

Quanto mais organizados os dados, mais rápidas as decisões.

3. Apoiar-se em soluções digitais que garantam rigor e escalabilidade

Fazê-lo à mão é uma confusão. Para que o cálculo seja fiável e escalável, precisamos de tecnologia que nos dê controlo sem complicações. E que se adapte a qualquer regulamentação, setor ou volume de informação.

4. Definir metas alinhadas com os seus compromissos ESG

Medir por medir não faz sentido. É preciso ter claro porque se quer estes dados: cumprir uma norma, reduzir emissões, melhorar processos…

Defina metas claras e alcançáveis, alinhadas com o que o mercado está a pedir.

Dicas práticas para agir já

  • Comece pelos tipos de saco com maior volume e maior impacto em emissões.
  • Peça aos fornecedores dados verificáveis sobre conteúdo reciclado e pegada de produção.
  • Defina metas trimestrais por categoria de produto e acompanhe a evolução.
  • Centralize evidências e cálculos para acelerar o reporte e facilitar as auditorias.

Dcycle: o seu aliado para medir e transformar o seu impacto ESG

Na Dcycle não somos auditores nem consultores. Somos uma solução para empresas que precisam de ir além da teoria.

Reunimos toda a sua informação ESG num único lugar. E ligamo-la aos frameworks regulatórios que já utiliza ou a que vai ficar obrigado: CSRD, EINF, SBTi, ISO e o que vier a seguir. Tudo de forma automatizada, simples e direta.

Porque medir não deve ser um obstáculo, mas o início de uma estratégia de sustentabilidade real que funcione de facto. Se quiser ver como, fale com a nossa equipa.

Perguntas frequentes (FAQs)

Qual é a diferença entre pegada de carbono e pegada ecológica?

A pegada de carbono centra-se nas emissões de gases com efeito de estufa. Ou seja, mede o CO₂ e outros GEE gerados por um produto ou processo.

A pegada ecológica é mais ampla. Inclui o consumo de recursos, a utilização do solo, a água e muito mais. Mas, se falamos de emissões, o que importa é a pegada de carbono.

Como influencia o tipo de plástico a pegada de carbono?

Nem todos os plásticos poluem o mesmo. Depende do material de base, do processo de fabrico e de ser reciclado ou não. Quanto mais complexo o plástico, maior costuma ser a sua pegada.

A energia utilizada na sua produção e a forma como é gerido no fim de vida também contam.

É possível reduzir a pegada de carbono sem eliminar os sacos de plástico?

Sim, mas tem de ser bem feito. Utilizar materiais menos intensivos, prolongar a vida útil dos produtos e melhorar a logística já representa grandes avanços. Eliminar nem sempre é a única opção.

Otimizar pode ser igualmente eficaz quando feito com critério.

Que dados preciso para calcular esta pegada com rigor?

São necessários dados de todo o ciclo de vida: das matérias-primas ao transporte, utilização e fim de vida.

Quanto mais rigorosos os dados, mais realista o cálculo e mais útil será para a tomada de decisões.

Com que frequência se deve medir a pegada de carbono de produtos como os sacos?

Idealmente, sempre que as condições principais mudem, por exemplo, se mudar de fornecedores, materiais ou processos.

Faz também sentido fazê-lo periodicamente. Assim pode acompanhar os progressos e ajustar a estratégia sem improvisar.

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