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CSRD vs NFRD: o que mudou e o que tem de fazer

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CSRD vs NFRD: o que mudou e o que tem de fazer

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Da NFRD à CSRD: uma mudança de fundo

A Diretiva relativa à Divulgação de Informações não Financeiras (NFRD) foi a primeira tentativa da UE de tornar obrigatório o reporte de sustentabilidade. Introduzida em 2014, obrigava cerca de 11 700 grandes entidades de interesse público a divulgar informação não financeira.

A CSRD substitui a NFRD por um referencial muito mais alargado e padronizado. Veja o que mudou e porque é que isso importa.

Principais diferenças num relance

AspetoNFRDCSRD
Empresas abrangidas~11 700~50 000+
Normas de reporteFlexíveis (GRI, referencial próprio)ESRS obrigatórias
Garantia de fiabilidadeNão exigidaGarantia limitada obrigatória
Formato digitalNão exigidoEtiquetagem XBRL obrigatória
Abordagem de materialidadeMaterialidade simplesDupla materialidade
Cadeia de valorÂmbito limitadoToda a cadeia de valor
Localização no relatório anualPodia ser uma secção separadaIntegrado no relatório de gestão

Âmbito alargado

A mudança mais evidente é o número de empresas abrangidas. A CSRD estende as obrigações de reporte a:

  • Todas as grandes empresas da UE (e não apenas as entidades de interesse público)
  • PME cotadas (com um período transitório)
  • Empresas de fora da UE com um volume de negócios significativo na UE

Isto significa que muitas empresas que nunca tiveram de reportar dados de sustentabilidade vão ter de começar do zero.

Reporte padronizado com as ESRS

Ao abrigo da NFRD, as empresas podiam escolher o seu próprio referencial ou seguir as orientações da GRI. Isso tornava quase impossível comparar empresas.

A CSRD impõe a utilização das ESRS: um conjunto único de normas, com pontos de dados, definições e requisitos de divulgação específicos. Esta padronização é uma das maiores virtudes da diretiva: investidores, reguladores e partes interessadas podem, finalmente, comparar o desempenho de sustentabilidade entre empresas.

Garantia de fiabilidade obrigatória

Os relatórios NFRD raramente eram verificados. Com a CSRD, todos os relatórios exigem, pelo menos, uma garantia limitada de fiabilidade por um auditor independente desde o primeiro dia, e a UE pondera passar, no futuro, para uma garantia razoável.

Isto significa que os seus dados têm de ser auditáveis: com pistas de evidência claras, metodologias consistentes e processos documentados.

Dupla materialidade

Talvez a mudança mais significativa do ponto de vista conceptual: a passagem da materialidade simples para a dupla materialidade. As empresas têm agora de avaliar tanto o modo como afetam o mundo como o modo como o mundo as afeta.

Esta avaliação bidirecional garante que os relatórios captam o quadro completo, não apenas o risco financeiro, mas também o impacto no mundo real.

O que isto significa para si

Se reportava ao abrigo da NFRD, os seus processos atuais precisam de melhorias significativas:

  1. Mais dados: as ESRS exigem muito mais pontos de dados do que a maioria dos relatórios NFRD abrangia
  2. Melhor qualidade: os requisitos de garantia de fiabilidade obrigam a que os dados sejam auditáveis
  3. Novo formato: terá de submeter em XBRL, o que exige etiquetagem digital
  4. Âmbito mais amplo: os dados da cadeia de valor (emissões de âmbito 3, práticas dos fornecedores) são agora obrigatórios

Se vai reportar pela primeira vez, a boa notícia é que pode começar desde o primeiro dia com ferramentas e processos modernos.

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