Nos últimos anos, a preocupação com o ambiente levou muitas empresas a procurar formas de reduzir a sua pegada de carbono. Neste contexto, as empresas de logística têm um papel fundamental, uma vez que a sua atividade gera uma quantidade significativa de emissões de gases com efeito de estufa. É o terceiro setor que mais polui, a seguir à indústria e à construção, e representa 23% dos gases com efeito de estufa (GEE). Por isso, o Global Logistics Emissions Council (GLEC v3.0) criou um quadro de referência para medir a pegada de carbono das empresas de logística. Neste artigo explicamos o que é e como pode ser aplicado.
O referencial GLEC é um quadro de referência que estabelece uma metodologia normalizada para medir a pegada de carbono das empresas de logística. Assenta no GHG Protocol, amplamente reconhecido como a ferramenta mais fiável e rigorosa para medir as emissões de gases com efeito de estufa. O referencial GLEC foi desenvolvido por uma coligação de organizações internacionais e foi adotado por muitas empresas de referência do setor logístico.
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Para medir a pegada de carbono de uma empresa de logística segundo o referencial GLEC, é necessário seguir 4 passos:
- Definir o âmbito e os objetivos da medição, ou seja, que atividades da empresa serão incluídas na análise e com que finalidade. Pode incluir o transporte de mercadorias, o armazenamento, o manuseamento e outras atividades relacionadas com a logística.
- Recolher informação sobre as emissões de gases com efeito de estufa associadas a essas atividades, dos âmbitos 1, 2 e 3, utilizando a metodologia do GHG Protocol.
- Medir as emissões de gases com efeito de estufa da empresa com base no referencial GLEC. Este quadro de referência disponibiliza uma série de fatores de emissão normalizados para os diferentes modos de transporte e outras atividades logísticas, o que facilita o cálculo das emissões.
- Identificar as áreas em que a empresa tem maior impacto e estabelecer objetivos de redução de emissões.
Contabilização das emissões por âmbito
Âmbito 1: emissões diretas de ativos que são propriedade da empresa ou por ela controlados. Provêm sobretudo da combustão de combustíveis fósseis em maquinaria e veículos.
Âmbito 2: emissões indiretas associadas à compra e ao consumo de eletricidade nas instalações da empresa.
Âmbito 3: emissões indiretas relacionadas com a cadeia de abastecimento da empresa. Inclui sobretudo a produção e a distribuição dos combustíveis utilizados pela empresa e de outros bens e serviços adquiridos. Abrange também as emissões do transporte necessário para levar as mercadorias dos fornecedores até à empresa e da empresa até ao cliente final.
Contabilização das emissões dos combustíveis
Well-to-tank (WTT, do poço ao depósito): são as emissões geradas por todos os processos entre a origem da energia (o poço), a extração, o processamento, o armazenamento e a entrega no ponto de utilização (o depósito).
Tank-to-wheel (TTW, do depósito à roda): são as emissões geradas pelos combustíveis das atividades do âmbito 1 (a roda). Considera-se que são nulas no caso da eletricidade, do hidrogénio, das pilhas de combustível de hidrogénio e dos biocombustíveis.
Well-to-wheel (WTW, do poço à roda): são as emissões de todo o ciclo de vida e devem ser iguais à soma das emissões WTT e TTW.
Reporte das emissões
As emissões TTW dos combustíveis provenientes de operações diretas incluem-se no âmbito 1, as emissões WTT contabilizam-se no âmbito 3, e as emissões WTW dos combustíveis produzidos por subcontratados são reportadas no âmbito 3.
Medir a pegada de carbono de uma empresa de logística segundo o referencial GLEC pode trazer grandes benefícios:
- Permite à empresa conhecer o seu impacto ambiental e estabelecer objetivos de redução de emissões.
- Ajuda a empresa a identificar áreas de melhoria na sua atividade logística, o que pode traduzir-se em maior eficiência e rentabilidade.
- Melhora a imagem da empresa perante os seus clientes, já que cada vez mais consumidores valorizam a sustentabilidade e o compromisso ambiental das empresas.
Em conclusão, o referencial GLEC é uma ferramenta útil para medir a pegada de carbono das empresas de logística. Este quadro de referência estabelece uma metodologia normalizada que permite às empresas conhecer o seu impacto ambiental e definir objetivos de redução de emissões.
A aplicação do referencial GLEC pode ter vários benefícios, tanto ambientais como económicos e de imagem. Por isso, cada vez mais empresas adotam este quadro de referência como parte da sua estratégia de sustentabilidade e crescimento.